O dia internacional do hanseniano foi escolhido para ser comemorado em 29/01 e foi estabelecido a partir dos esforços do Jornalista francês Raoul Follerreau, que motivou a Organização das Nações Unidas (ONU) a criar um dia para lembrar esta doença.
O que é a hanseníase?
Trata-se de uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae (também conhecida como Bacilo de Hansen), que afeta os nervos e a pele.
O nome hanseníase se refere ao descobridor do microrganismo causador da doença, Gerhard Hansen. É conhecida como "a doença mais antiga do mundo", afetando a humanidade há pelo menos 4000 anos e tendo os primeiros registros no Egito, datando de 1350 a.C. Ela é endêmica (específica de uma região) em certos países tropicais, em particular na Ásia.
A hanseníase no Brasil
No Brasil, a hanseníase ainda tem índices de ocorrência alarmantes, em média, 2,7 acometidos em 10 mil habitantes. Prova disso, é que a eliminação da doença é uma meta para as políticas de saúde pública no Brasil.
De acordo com a Agência Brasil, o nosso país ocupa o segundo lugar mundial em número de casos de hanseníase, perdendo apenas para a Índia. Uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que em 2017, enquanto o Brasil teve 26.875 casos, a Índia teve 126.164. Na última década, foram registrados cerca de 30 mil casos novos por ano no Brasil.
A coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sandra Durães, disse à?Agência Brasil?que a hanseníase é uma doença que acomete as populações negligenciadas, com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Embora o Brasil esteja entre as maiores potências econômicas, ainda apresenta grandes desigualdades e muitos bolsões de pobreza em áreas periféricas.
Quais são os sintomas da hanseníase?
A hanseníase é passada de uma pessoa que tenha uma forma transmissível da doença e não esteja em tratamento, para outra pessoa. ?Essa doença é passada pela via respiratória. Respirando naquele mesmo ambiente, você tem mais risco de pegar. Geralmente em ambientes pouco ventilados e aglomerados. Não tem a ver com higiene?, esclareceu a médica Sandra Durães à Agência Brasil.
A hanseníase se manifesta na pele pelo aparecimento de manchas brancas ou vermelhas e de lesões vermelhas altas denominadas placas ou infiltrações. Essas lesões se caracterizam por terem a perda da sensibilidade, porque a bactéria tem uma afinidade grande pelos nervos periféricos.
?A pessoa vai perder a sensibilidade das lesões. Além disso, pode apresentar sensação de nariz entupido, ardência nos olhos e ter dormência nas extremidades, ou seja, nas mãos e pés?, explicou. Segundo a especialista, o bacilo da hanseníase apresenta grande afinidade com dois órgãos: a pele e os nervos periféricos. O sistema nervoso periférico se refere às partes que estão fora do sistema nervoso central, isto é, fora do cérebro e da medula espinhal.
A prevenção e o tratamento da hanseníase
A prevenção baseia-se no exame clínico precoce das lesões suspeitas e na aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.
Atualmente o tratamento se dá através da associação de alguns medicamentos (antibióticos), podendo ser realizado nas redes públicas de saúde. O tempo de tratamento oscila entre 6 e 24 meses, de acordo com a gravidade da doença.
Janeiro Roxo ? conscientização e combate a hanseníase
O Dia mundial da Hanseníase é fundamental para lembrar que a doença tem cura. Muitos ainda têm grande desconhecimento da hanseníase, também conhecida como lepra. Por isso o Ministério da Saúde promoveu a campanha Janeiro Roxo para chamar a atenção da população para o problema e informar que hoje o tratamento é eficaz.
Não há necessidade de a pessoa ficar reclusa, como ocorria com os antigos portadores de lepra, ou leprosos - como eram denominados na época - , que eram isolados compulsoriamente do restante da população.
As pessoas portadoras da hanseníase já enfrentaram muitos preconceitos no passado, pelo desconhecimento de outras pessoas sobre a doença e também pelos tratamentos antigamente não serem tão eficazes como são nos dias de hoje.
A campanha Janeiro Roxo se estenderá até o final do mês, com ações educativas e divulgação, pela mídia, dos sinais e sintomas da hanseníase que ainda são parcialmente desconhecidos por grande parte da população. O primeiro mês do ano é dedicado à conscientização, combate e prevenção da hanseníase.
Fonte: Agência Brasil e Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira ? IMIP