
Na hematologia automatizada, a precisão na contagem celular depende da interação entre a amostra de sangue e os reagentes de suporte: o diluente e o agente de lise.
O diluente hematológico não é apenas um líquido de transporte; ele deve manter a integridade morfológica das células, controlando a pressão osmótica para que os eritrócitos não sofram hemólise ou edema antes da contagem. Ele também atua como um condutor elétrico estável para os sistemas que utilizam a impedância.
Já os reagentes de lise possuem uma função química extremamente seletiva: eles devem romper a membrana dos glóbulos vermelhos de forma rápida e completa, liberando a hemoglobina para dosagem colorimétrica, enquanto preservam os leucócitos (glóbulos brancos) para sua diferenciação e contagem.
A formulação do reagente de lise determina a clareza dos histogramas e dos scattergrams (gráficos de dispersão). Se a lise for incompleta ou agressiva demais, as populações celulares podem se sobrepor, gerando alarmes (flags) de erro que exigem a revisão manual da lâmina, aumentando o trabalho do laboratório.
Produzir reagentes hematológicos exige um controle rigoroso de partículas. Qualquer impureza no diluente pode ser contada erroneamente como uma plaqueta, elevando o "background" do equipamento.
Assim, a filtração absoluta e a esterilidade dessas soluções são pilares da fabricação.
Reagentes hematológicos de alta qualidade garantem que o analisador consiga distinguir com precisão entre as diferentes linhagens celulares, fornecendo um hemograma confiável que é a base para o diagnóstico de anemias, infecções e leucemias.
Referências:
Hematologia: Dacie and Lewis Practical Haematology ? Barbara J. Bain.
Instrumentação: Principles of Automated Cell Counting ? American Society for Clinical Laboratory Science.
Qualidade: Validation of Hematology Analyzers and Reagents ? International Council for Standardization in Haematology (ICSH).